
O desafio é não ser desonesto em críticas ao autor, pedindo ênfases em pontos que ele não quer enfatizar. Isso é diferente de apontar perspectivas que podem levar a conclusões incorretas.
Por exemplo, o esforço de pintar Jesus como militante acaba deixando de lado questões mais importantes, como um reino que não é deste mundo (Jo 18:36). "Quiseram alçá-lo a grande líder, e até mesmo rei, mas Ele sabia como era tentador e infrutífero se distanciar do povo e ceder aos anseios do poder e da fama. Quando se sentia seduzido pela vaidade, costumava ir a lugares solitários e orar." (pos. 889).
Isso não pode invalidar as críticas pertinentes do pastor Henrique Vieira à igreja evangélica brasileira, como moralismo, falta de empatia e racismo religioso. Além disso, o livro é bem escrito.
No fundo, o discurso de Vieira se encaixa bem naquilo que Richard H. Niebuhr chamou de Cristo da Cultura (Cristo e Cultura, 1967). Grosso modo, quer dizer que o pastor interpreta a sociedade brasileira e a igreja evangélica brasileira presente nela de acordo com Cristo, mas também interpreta Cristo pela sua proposta política para a sociedade brasileira. Isso não acontece sem dano. Por isso que, mesmo apresentando críticas válidas, ao tentar encaixar Cristo na sua visão política, os danos à mensagem cristã aparecem.
É verdade que nem todo evangélico é (e nem precisa ser) conservador. Mas também é verdade que nem todo evangélico progressista é e nem precisa se posicionar como o pastor Henrique Vieira.
Escrito por Lazaro Campos Junior
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Título: O amor como revolução
Autor: Henrique Vieira
Editora: Objetiva
Páginas: 168
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